vida perra


Sci-Fi

Todas as noites entro em minha nave espacial/máquina do tempo e saio de viagem. Vou para o futuro, outros planetas, distantes estrelas, mundos paralelos. Homens evoluídos, robôs, estranhos animais e ainda mais estranhas plantas. Luas no céu roxo, sóis vermelhos, poeira cósmica nos sapatos.

Tudo isso graças a uns anarquistas espanhóis que combatem a sociedade capitalista desrespeitando os direitos autorais. Como consequência tenho à minha disposição 6.000 libros em espanhol. Um luxo! Só que, ao invés de Shakespeare, Balzac, ou outro autor consagrado, me prendo às novelinhas medíocres de ficção científica.

Sempre gostei de ler. Ler coisa boa! Mas a queda pela ficção científica também sempre me acompanhou. E agora domina.

Talvez porque minha vida já é suficientemente densa e pesada, com duas filhas e nenhum marido, um câncer, uma família complicada.

Há ótimos autores de ficção, como Asimov, Vonnegut e outros. Porém também gosto, e muito, dos médios e medíocres. São homens e mulheres cuja imaginação vai além de sua capacidade intelectual. São capazes de imaginar cenários e estórias que não cabem na realidade em que todos vivemos. Criam mundos diferentes e enredos admiráveis, usando uma escrita primária que resulta em má literatura.

Não importa. Serve muito bem para me levar a passeio por suas mentes e compartilhar suas visões maravilhosas. É ótimo para trazer o sono devagarinho nas noites frias de São Paulo. Amo Sci-Fi!



Escrito por monica às 10h54
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PÉROLA

Sessão vespertina de horror: Pérola. Ventiladores e ar condicionado no máximo, enquanto as mulheres doentes se encolhem procurando proteção contra o frio inesperado. Cheiro de gente que espera há horas, com dores e desconforto. Luz de neon realçando o abatimento e a feiura.

Sessão vespertina de solidariedade: Pérola. A enfermeira prestativa, a outra carinhosa. A moça da recepção condoída, que dá a dica contrariando as ordens explíctas da médica.

Pérola: devo-lhe a vida e meu tormento.



Escrito por monica às 08h29
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PARENTI SERPENTI

Velhice, meia-idade, juventude, infância, no mesmo espaço, ao mesmo tempo, só num encontro de família. Encontro de gente que se vê muito e que não se vê nunca, em comum, só o DNA e um sobrenome. Família unida pelo amor, pela convivência, pelo ódio, pela indiferença. DNA de efeitos profundos e misteriosos: meu nariz numa pessoa, meus olhos em outra, e meus cabelos numa terceira, numa mistura de espelhos quebrados com photoshop enlouquecido. Se é assim nos fenótipos, como será na personalidade?

Ainda por cima, uma família de oriundi, aquela cara de reunião da máfia ou comédia do Dino Risi.

Os primos que vi pela última vez ainda crianças, agora têm filhos, netos e botox. Eu mesma sou agora uma sombra grisalha do que fui e muitos sequer me reconhecem, esquecimento mútuo de nomes, em comum só lembranças de visitas chatíssimas num tempo remoto.

E a minha tia, 98 anos, quase um século, ainda curiosa, ainda participante, ainda gente. Mal se lembrava de mim, quando a abracei em lágrimas. Um choro que sempre me vem quando vejo pessoas admiráveis.

Foi bom e emocionante. Uma aula de origem para minhas filhas, um flashback intenso para mim.

Foi ruim, porque ali havia gente de que não gosto ou que me traz lembranças terríveis. Já não sou nenhuma criança e meu meio século contém de tudo.

Serpentes não são boas ou más. São apenas perigosas quando nos aproximamos demais.



Escrito por monica às 09h59
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CACHORROS

Cachorros são anjos inconscientes desprovidos de asas. Às vezes, guerreiros arcanjos defensores. Outras, decaídos, entidades malignas. Os filhotes são autênticos querubins deliciosos. Anjos da guarda, querem nos acompanhar para todo lado.

Amar cachorros é uma religião. A liturgia consiste em passear todo dia, dar um fim na merda, alimentá-los, levar ao veterinário, pagar um dízimo pesado nas muitas despesas. Os textos sagrados são divulgados em revistas especializadas, programas de TV e até mesmo livros. O clero se refugia nos Kenel Clubs. Os praticantes pertencem e possuem todas as raças. Estão em todos os países (menos na China, blergh!).

É um privilégio e uma maldição amar cachorros. Amá-los é ter a certeza absoluta de ser correspondido. Amá-los é cuidá-los em sua absoluta dependência.

Há também um componente neurótico no amor por cachorros. A determinação de limites entre humano e canino nem sempre é tranquila. Há pessoas que consideram seu cão como uma pessoa e pessoas que se consideram cães, ou pelo menos agem como tal, na pior acepção possivel.

Cachorros, cães, totós, perros, dogs, chiens, estão por toda parte, nos fazendo companhia neste planeta há milhares de anos, uma dádiva benevolente da cruel e indiferente Mãe Natureza. Imagine o que significou para o homem primitivo associar-se a este peludo quadrúpede, rápido e cheio de dentes, com habilidades totalmente ausentes nos seres humanos. A opção evolucionária pela inteligência resultou num corpo blando, frágil, lento, sem garras ou presas. Duvido muito que a humanidade tivesse obtido tamanho sucesso evolucionário sem esse companheiro a apoiá-la em seus primórdios. É só observar e constatar que todas, absolutamente todas as culturas humanas estão associadas ao cão, seja lá como for (até mesmo os chineses - argh!). Até para a Austrália ele foi levado pelo homem, em detrimento dos gatos.

Guarda, amigo, alimento, escravo, símbolo de status, amante secreto, o cachorro se presta a múltiplos papéis.

Uma argumentação completa, um pouco de conhecimento humanista, muita reflexão, tudo isso produzido pela minha mente, só como justificativa pra botar a foto abaixo e escapar da classificação de blog bonitinho. Eita!

É o Zé



Escrito por monica às 09h42
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RAPUNZEL

 

Rapunzel é cheia de estórias.

Na outra madrugada chegou em casa e foi tomar banho. A mãe notou que usava cueca e Rapunzel não soube explicar o acontecido. Nessa hora as estórias lhe falharam.

Teve também aquela manhã, bem cedo, 6 horas, em que ela teve que passar em frente à padaria em trajes sumários.

E houva aquela balada, de música country, em que a atração principal era o Sérgio Mallandro. A balada em si já era um constrangimento, agora imagina só o que aconteceu por lá. Uma longa estória...

As estórias de Rapunzel estão evoluindo para o realismo fantástico. Que conto de fadas, que nada!

 



Escrito por monica às 08h56
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TINTAS

Seu José vive entre cores e papéis. Pequenas notas manuscritas em letra firme. Fala de tons, texturas, meios e fins. Explica tudo e mais um pouco, iluminando minha negra ignorância. Prateleiras atestadas e confusas, só Seu José mesmo para encontrar o que precisa. O computador inútil observa enquanto Seu José verifica o estoque in loco.

Pessoas idosas, vivendo aqui há setenta anos e recebendo com um sorriso tolerante moradores passageiros. Seu José está entre eles, a experiência lhe sussurrando para não acreditar em nossos protestos de estima e consideração. Mas Seu José finge que não ouve e trata todo mundo bem, inclusive conta estórias de netos e cachorros.

Santa Aclimação, aclimatando novos espécimes litorâneos em seu lago seco e sujo.



Escrito por monica às 10h37
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TEMAS

Fui reclassificar o blog e vejo que falta um tema: "mulheres de meia idade sem o que fazer". Vou reivindicar junto à UOL.



Escrito por monica às 09h20
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JINGLE BELL

Fim de ano. Festinhas. Amigo secreto. Ninguém escapa disso.

Todo mundo se apressa em dizer e demonstrar tudo aquilo que não foi dito nem demonstrado durante o ano.

De repente baixa o espírito natalino e rancores se diluem, amizades se estreitam, amores reacendem. O perdão faz maravilhas.

Só até o início do próximo ano, quando tudo volta ao que tem de ser, com todo mundo se mordendo disfarçadamente. 

Isso numa perspectiva otimista, pois há muitas festinhas (a maioria) que são só formalidades, teatrinho necessário ao puxa-saquismo. Felizmente em minha nova condição laboral escapei dessas...

E neste ano foi diferente. Minhas festinhas foram mesmo legais.

Numa confirmei o efeito benéfico da solidariedade num grupo ainda tão novo que não teve tempo de desenvolver canais de comunicação para a intrínseca maldade humana.

Noutra vi que me trabalho não se perdeu nestes últimos anos e me apareceu um filho cuja maternidade eu desconhecia.

I won.



Escrito por monica às 08h50
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Só o Amor Constrói (ou reforma)

Quem não ama sempre se dá bem. Quem ama corre riscos. Gente apaixonada é looser em potencial.

Quando eu era jovem, tinha pena de quem nunca tinha se apaixonado. Há um bocado de gente que não tem idéia do que é a paixão. Passa a vida toda sem conhecer o paraíso infernal ou o inferno paradisíaco...

Agora, velha, já não tenho tanta certeza. A paixão é um estado de graça. Um estado de graça que nos transforma em idiotas completos, sujeitos a todo tipo de desgraça. Durante a paixão perdemos temporariamente o instinto de autopreservação.

Paixão, amor, sexo... É incrível o que nos acontece. Num determinado momento da vida tudo isso se apequena diante do pensamento, da ação, da missão na vida.

É, isso mesmo, missão na vida. Noutro dia, no prefácio ao "Guia do Mochileiro das Galáxias" (alta literatura!), um sujeito disse que a missão a ser desempenhada na vida é o que há de mais importante para os ateus, porque, para nós, esta é a única chance para agir. Acertou na mosca - é exatamente como me sinto.

E é esse sentimento que me faz querer me desembaraçar dessa tralha toda: amor, paixão, sexo... Tralha de chumbo.

Felizmente esse desejo combina com o momento da vida do meu corpo, envelhecido, dilacerado e doente.

Nem meu corpo exige mais coisa nenhuma.

Game over.



Escrito por monica às 11h19
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A SAMAMBAIA DA MINHA AVÓ

 

Não é por nada que sou bióloga. Se me perguntassem o que eu queria ser aos 8 anos, eu respondia sem hesitar: veterinária. E olha que nessa idade devo ter visto um veterinário uma ou duas vezes, se tanto. Quando, aos 11, descobri o que era biólogo, resolvi que era muito melhor que veterinário, porque aí eu poderia estudar não só bichos, mas plantas também.

Assim, não é de se espantar que minha herança mais querida seja uma samambaia que deve estar com a família há uns 50 anos, mais ou menos. Posso ter dificuldades de relacionamento com pessoas em geral, mas com a samambaia, graças a deus, venho me dando bem há pelo menos uns 25 anos. Bodas de ouro, é isso aí. Minha samambaia mora na varanda, e se você quiser saber a quantas anda a minha vida interior é só olhar pra ela. Somos unha e parênquima. Quando voltei dos EUA, encontrei a minha samambaia em pele e osso (?). Foi só eu chegar, ficar feliz, e ela literalmente renasceu. Ela sabia como eu estava a não sei quantos mil quilômetros de distância... Uma samambaia telepata - que descoberta para a ciência!

Imagine o que ela não sofreu quando pertencia à minha avó, maníaca obsessiva por ordem e limpeza. Minha avó media a distância entre as pilhas de roupa do guarda-roupa (que compartilhávamos!) com régua. E a coitada da samabaia era podada para ter suas folhas todas do mesmo comprimento. Hoje ela é feliz no clima quente e úmido de Ubatuba, num lugarzinho com a luz na medida certa. É livre para crescer como quiser e produzir protalos à vontade.

A samambaia não foi meu único resgate vegetal. Certa vez recolhi uma helicônia jogada no lixo, e tem a estória da dracena que passou 22 anos vivendo num apartamento, plantada num vasinho minúsculo, sendo que nos últimos dez, o tal apê ficou praticamente desocupado. Quando a trouxe para Uba, antes mesmo de plantá-la na terra, floresceu!

E dizem por aí que as plantas não sentem. Só os insensíveis não ouvem os gritos do tomate. Só os empedernidos não sofrem com o terrível contra-ataque da cebola. Só os desprovidos de olfato não conhecem a terrível vingança do repolho...

Produtores primários do mundo, uni-vos!

 



Escrito por monica às 20h57
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Conflito de Gerações

Talvez valha a pena contar um pouco como é que foi em 77. Na época o Movimento Estudantil (e não tinha nada a ver com o tráfico de drogas entre estudantes) era, como hoje, dominado por certos grupos. Na Bio, onde eu estudava, havia um grupo no Centro Acadêmico de que não recordo o nome, que era até mais legalzinho. E tinha também um bando de meninas mais ou menos ridículas (aliás como todos nós) que queria o poder e que a gente nunca deixava. Era a Libelú (Liberdade e Luta), movimento de esquerda radical, que perdia todas as eleições. Acho que preferíamos votar no Cacareco do que nelas.

Libelu e outras siglas à parte, aquele foi um momento muito especial - surgiu como uma oportunidade de derrubar a ditadura. Quais os fatores que resultaram nisso? Não faço idéia - não sou cientista política e por isso acho que o livro do Elio Gaspari deve trazer algumas respostas. Sei apenas que, naquele momento, todos os olhos estavam postos em nós, estudantes universitários. Em São Paulo todo mundo se uniu, USP, PUC e até o inimigo histórico da USP, o Mackenzie. De repente viramos a voz do Brasil. E então, um milagre aconteceu e a maioria silenciosa, a "massa", como eles chamavam na época, começou a tomar corpo. Na Bio, todos os dias alguém mudava de opinião, se "tocava" do que estava rolando e assumia publicamente seu engajamento. Era bonito de se ver. Íamos nas assembléias e decidíamos realmente o que queríamos fazer. Lógico que havia manobras e muitos se tornaram políticos profissionais depois. Mas isso não era importante porque tínhamos uma tarefa concreta: ser a expressão da vontade de uma parte do povo, calada há muitos anos.

Começamos com greve e algumas passeatas tímidas próximas do campus. A repressão não se dava nesses momentos, mas em outros, e muitas vezes tive que fugir pelo "caminho secreto" do Butantã, deixando o carro no campus. E as blitz também davam um puta medo. Até que criamos coragem e fizemos uma passeata no centro da cidade. O comércio fechou as portas e a turma dos escritórios jogava papel picado sobre nós, como se fosse Ano Novo. Os donos de lojas de disco botaram "Meus Caros Amigos" pra tocar, música do Chico Buarque que na época era obrigado a usar um pseudônimo. Foi uma sensação incrível participar disso tudo. Foi um momento de união e esperança que nunca se repetiria em minha vida. Éramos poderosos. Éramos do bem, sem sombra de dúvida. Éramos heróis.

Na passeata seguinte baixou a repressão. Não pude participar dela porque quando cheguei no ponto de encontro os cavalos e helicópteros já estavam em ação. Então fugi para um ponto combinado e fui para casa. Durante anos ficava apavorada com o barulho de helicópteros, porque naquela época sempre estavam presentes em todos os atos ao ar livre para nos intimidar.

E houve depois a histórica invasão da PUC. Tudo muito intenso. Tudo muito triste. Duas meninas da Bio se machucaram com as bombas. A PUC ficou destruída. Os militares mostraram sua força. Nem tudo eram flores.

Como resultado de tudo isso, conseguimos mudar a condição dos Centros Acadêmicos (antes controlados pelas diretorias das unidades), criamos o DCE e recriamos a UNE. E os militares, diante do apoio que recebemos, acabaram capitulando e decidindo sair do poder.

É claro que lamento a atual situação desses órgãos de representação estudantil. Como lamento a situação da APEOESP, sindicato dos professores, que também teve um papel importante e pouco reconhecido (essa é outra estória). Se esses órgãos existem hoje, foi porque houve uma luta para criá-los, não foi fácil estruturá-los e o que falta é serem "tomados" pela "massa" novamente. Não acredito que ONGs consigam substituir órgãos representativos de classes (coisa em que já acreditei), só que esse órgãos devem ser verdadeiramente representativos e não o que são hoje.

O que falta à atual juventude para mudar essa realidade? Não sei. Se fosse jovem também não saberia. Os jovens desta geração são, em muitos aspectos, mais sábios do que éramos. Têm um ceticismo saudável e boa visão do panorama geral. Talvez falte uma tarefa específica, como recriar a UNE, ou um objetivo indubitavelmente importante, como derrubar a ditadura. Meios para se organizar, eles têm: liberdade e a internet. Porque não se organizam?

As ONGs são um meio, mas sua atuação é muito específica e hoje em dia têm sido muito manipuladas por interesses políticos e econômicos. Na hora de criar e aprovar leis ou atos do executivo não basta fazer lobby, tem que pressionar via manifestação popular, e esta está muda há tempos, desde os cara-pintadas.

Engolimos as piores coisas, tipo a política econômica, a palhaçada dos programas sociais, a destruição da FEBEM (que NÃO é herança do regime militar, foi feita pelo PSDB) e do sistema penal, o apodrecimento do judiciário, a deterioração do atendimento à saúde, etc., etc., etc... E ficamos mudos, quietos, escondidos no canto. Gostaria sinceramente de saber o motivo de tanto desencanto, não com os políticos (que todo mundo sabe que são podres mesmo) mas conosco, com nosso próprio poder.

Não participamos dos Conselhos de Escola, dos Conselhos Municipais de Saúde, Educação e Segurança, não vamos às sessões da Câmara, não participamos de nossos órgãos de representação de classe. A sociedade brasileira está inerte. Depois de brigar e trabalhar para montar tudo isso, deixamos de lado.

E esse problema não é só dos jovens, é de todos nós.

(Ai, que post comprido... Ninguém vai ter saco de ler)



Escrito por monica às 07h46
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Bomba!

Buemba! (como diria o Macaco Simão) Orkut Buyukkokten é o pseudônimo do Roberto Carlos, verdadeiro criador do Orkut! A idéia veio-lhe quando estava fazendo a letra daquela canção: "Eu quero ter um milhão de amigos..."



Escrito por monica às 08h30
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A LA CORTAZAR

 

O Tigre vive no covil mais sombrio (1). À noite não se pode vê-lo. De dia, as listras negras sobre o fundo marrom de sua pele confundem-se no jogo de luz e sombra sob as árvores (2). Ele quase não se move, dorme e aguarda. Faz-se notar apenas quando tem fome ou sede (3). Ao contrário daquele tigre, para este não é preciso trancar portas. Ele conhece seus limites. Raras vezes, ataca sorrateiro e só percebemos quando concluída a tragédia (4). O Tigre escolheu viver sem liberdade (5). Escolheu estar conosco. Só nos resta dobrarmo-nos à sua poderosa vontade e servi-lo (6).

 

 

 

 

(1) Na garagem

(2) As árvores são a amoreira e o pé de limão

(3) Ai da gente se não trocar a água 2 vezes por dia e manter aquela maldita vasilha de ração cheia até a borda

(4) Foi o caso do queijo minas. Quando eu vi, já era!

(5) Ele morava praticamente na rua antes de vir pra casa. Agora, quando a gente abre o portão, ele não sai nem por decreto, de tanto medo que a gente feche e ele não possa ficar aqui no bem bom.

(6) Além dos atos descritos no item 3 ainda tem: catar a merda, dar banho, remédio contra pulga e carrapato, vacina, veterinário, etc., etc. e etc...

Meus amores são muitos (tenho um coração promíscuo): além dos porquinhos, tem o Tigre (aviso: não sou responsável por esse nome - não fui eu que botei!), meu amigo, companheiro, guarda e babão.

Esta foto não é dele, mas é bem parecido. De notável ele tem apenas uma certa inteligência seletiva: senta, dá a patinha (patinha? Maneira de dizer) e é capaz de reconhecer pelo menos uma forma geométrica, que é o círculo. Ele mija em tudo o que for redondo: roda de carro, de bicicleta, guarda-chuva aberto e marca estampada no saco de cimento. Ah, são também notáveis os puns, arrotos e roncos com que nos brinda com grande frequência.

I Love Tigre



Escrito por monica às 00h12
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LINKS

Tem dias em que saio por aí procurando blogs novos pra ler. E sempre encontro uns bacanas. Olha aí o resultado da última garimpagem:

http://www.nadaver.com/ É um misto de blog com site de humor. Muito divertido. Os caras são bons mesmo.

http://www.leisdemurphy.blogger.com.br/ Este é do rapaz que "morreu" no assalto... Mesmo tendo cometido a idiotice de acreditar, continuo lendo. O garoto escreve bem suas crônicas do cotidiano.

http://www.psicologoneurotico.blogger.com.br/ Lendo este blog vc vai descobrir o q os psicólogos realmente pensam da gente, seus clientes (e não contam pra ninguém).

http://crentesdosinfernos.zip.net/index.html Este aqui anda meio "meu querido diário" (A Jack sabe do q estou falando), mas é bem escrito e cheio de estilo.

Virei fã de blogs. Eles realizam três sonhos de todo leitor, ou pelo menos desta leitora aqui:

1. Você pode comentar o que está lendo diretamente com o autor - A leitura tem duas mãos, não fica tudo parado dentro do livro.

2. Você também pode escrever e ter leitores! É um troço fantástico!

3. Você pode ler o quanto quiser sem ter que acrescentar novas despesas ao seu orçamento doméstico.



Escrito por monica às 07h26
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AINDA A DENTISTA

Ontem fui na dentista e não aconteceu nada. Melhor dizendo, aconteceu o seguinte: dormi. E como sou fumante, estava deitada de barriga para cima e com a boca aberta, veio a consequência infalível: ronquei. Na cara da dentista. Vergonha...


Minha mãe foi comigo e saiu-se com esta pérola, num dado momento da conversa:

- "O Zé Dirceu é o Golbery do Lula". Quase despenquei de rir, concordei plenamente e acrescentei:

- "Então o Palocci é o Delfim Neto do PT".

E voltamos pra Uba sob chuva e neblina... FIM



Escrito por monica às 09h57
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